MOÇA
2/19/2009
i never talk to strangers / eu não dou papo pra quem eu não conheço
MOÇA
1/28/2009
The Piano Has Been Drinking (Not Me) (An Evening With Pete King)
O piano esteve bebendo, minha gravata está dormindo
A banda (de jazz!) voltou para Nova Iorque,
a jukebox precisa mijar
O tapete precisa de um corte de cabelo,
e a luz do holofote parece uma saída da prisão
pois o telefone está sem cigarros, e a varanda está excitada
E o piano esteve bebendo... o piano esteve bebendo, e os menus estão morrendo
de frio
o cara da iluminação é cego de um olho
e não enxerga com o outro
o afinador do piano usa um aparelho auditivo,
ele apareceu com sua mamãe
e o piano esteve bebendo
enquanto o segurança é um lutador de sumô, um Casper Milquetoast** afeminado, o dono do lugar é um anão retardado com o QI de um poste
pois o piano esteve bebendo
E não dá pra achar sua garçonete com um detector de radiação
e ela te odeia, e também odeia seus amigos - mas você não pode ser servido por nenhuma outra!
o caixa está babando, e os banquinhos estão pegando fogo
os jornais estavam mentindo (oh!),
e os cinzeiros se aposentaram
pois o piano esteve bebendo
o piano esteve bebendo, e não eu.
(The Piano Has Been Drinking - Small Change)
*Pete King é um saxofonista inglês. E só. Quem quiser saber mais, consulte o oráculo de Delfos
**personagem tímida e humilde de uma tira publicada em jornal norte-americano (hífen... ou não hífen? Ai meus deuses!), chamada The Timid Soul (a alma tímida). Milquetoast é uma referência a milktoast - torrada com açúcar, leite e manteiga derretida - refeição boa pra crianças, bem fácil de digerir. Também é considerada a refeição dos inválidos, ou daqueles que possuem estômago fraco. Segundo o autor da tira, sua personagem era um homem que falava suavemente e apanhava com um grande porrete. Acho que já deu pra entender a idéia por trás do uso desse nome...
Agora, assistam o espetáculo triste acompanhado de risadas:
http://br.youtube.com/watch?v=-gwUtEEjZJ8
----------------------------
Acho que o título já diz o suficiente. Ou talvez não.
Bom, prosseguindo... o cenário é um bar, ou qualquer local que nos permita ouvir jazz e encher o saco da nossa garçonete preferida depois de bêbados. "Bêbados" é a palavra-chave. Todo esse teatro lunático de objetos inanimados ocupados com suas prosopopéias parece ocorrer em um momento de desmontagem - quase de manhã, se for um bar quase decente. A banda já voltou pra casa e a jukebox precisa se livrar do que foi consumido durante a noite. E acabaram os cigarros. Está quase na hora de fechar, e as coisas não realizam mais suas funções - e lá se vai aquele modo de ser que é a manualidade...? Ah, esquece.
Agora, o mais importante - o cantor está bêbado. Não, na verdade, é o piano que está. Mas o piano é o "eu lírico". Os outros objetos, de certa forma, também são. Em alguns momentos, Tom parece querer jogar a responsabilidade toda para o que está a sua volta. Não era ele quem estava bebendo, afinal. Em outros momentos, parece que quer dar vida a todos esses objetos simplesmente por estar terrivelmente solitário. É como ter um amigo imaginário, algo bem normal (eu espero). Talvez o fato de estar solitário seja o motivo para querer trasferir seus problemas para os objetos do local. É o piano que esteve bebendo durante a noite inteira... é o telefone que precisa de cigarros... é o tapete que precisa cortar o cabelo e dar um jeito em sua aparência de indivíduo acabado.
De qualquer forma, o mundo é constituído de meros modos da substância alcóolica única, que seria Tom Waits, e todos esses pobres objetos sem vida e funcionários deformados de um bar estariam nele, e nada fora dele. Aha, uma nova modalidade de delírio, o delírio espinosiano!
As pessoas da música, como o segurança e o afinador do piano, são todos seres bizarros... degenerados, inferiores. Nem mesmo são capazes de desempenhar sua função, devido às suas deformações (um segurança tímido e humilde! Que mundo é esse?!!). Menos a garçonete, é claro. Pelo menos, é o que parece. A garçonete não está contaminada, não pode ser encontrada com um simples detector de radiação. De qualquer forma, ela te odeia, e você depende totalmente dela. Talvez seja a parte mais real desse espetáculo de pianos bêbados e telefones desesperados por cigarros. Mas, vejam, os jornais estão mentindo. Parece que a coisa toda não é tão surreal assim. Talvez seja uma pista!
Ou... talvez seja tudo efeito do álcool (ora, mas não é o álcool que bota a verdade pra fora?? Ou seria somente o pentotato de sódio? Ou aquela poção do Harry Potter?? Oops... fui longe demais). De qualquer forma, não dá pra confiar muito em um piano bêbado. Veja como a voz de Tom Waits e o piano se combinam pra imitar um bêbado cambaleante. Bom, é tudo culpa desse piano bêbado. Eis a solução! Ninguém precisaria interpretar essa música se o piano estivesse sóbrio. O único culpado por esse devaneio é um piano bêbado. E não eu.
12/30/2008
Trilogia Rain Dogs / Anywhere I lay my Head
1
Minha cabeça gira sem parar
Eu tenho meu coração dentro dos sapatos [1]
Eu sentei e ateei fogo no rio Tamisa [2]
2
Caras, eu posso sentir em meus ossos.
Oh mas em qualquer lugar, qualquer lugar aonde eu deite minha cabeça
Eu vou chamar de casa.
3
4
Por que aprendi, eu aprendi a ficar sozinho. E eu digo:
Em qualquer lugar, qualquer lugar, qualquer lugar aonde eu repouse minha cabeça...
Eu vou, enfim, estar em casa.
0
A voz: caótica, rouca, com variações indescritíveis de volume e tom, é a interpretação perfeita para o bêbado existencial que descobre sua autenticidade na relação à distancia com a Casa. É um fim realmente emocionante para o album. Tive que escutá-lo na íntegra mais uma vez para poder ouvir a música.
1
O Rain Dog bebeu demais e "quase" perdeu a consciência. Ele sabe que precisa ficar sóbrio. A Casa fictícia trazida pelo álcool está começando a evaporar. Ele precisa descer do sonho.
2
Ler o 4.
3
O mundo está de cabeça pra baixo, está invertido, insano, perdeu seu sentido, é claro, só assim para haver ouro no bolso de um Rain Dog. Mas não é só isso. Não há ouro de verdade nos bolsos dele, mas é como se fosse. Se houvesse ouro no bolso de alguém, possivelmente ele estaria feliz. Ouro não há, mas há essa felicidade. E para isso, para este sentimento, não foi necessário ouro, nem sol, nem um vento quente e amenizador.
4
O Rain Dog aprendeu que a Casa é uma instituição individual. Ele não precisa de ninguém para estar em casa. Mas ele não está na Casa. O refrão diz que em qualquer lugar aonde ele repousar, ele vai estar em casa. Quer dizer, fora de casa, como sempre, mas em um estado de paz. Em qualquer lugar ele está em casa, quer dizer, ele não tem uma casa, a casa dele é tudo o que ele deita, a casa é ele mesmo. O sentido metafísico disso é um só: a casa transcende todos os entes do mundo. Não depende de espaço e tempo (no sentido da Física) para dormir em casa, na Casa, para se sentir em Casa,quer dizer, ter a estabilidade deseja do eu e a supressão do desespero de não ter casa. Não é um sentimento de total completude. "Rain Dogs" não foi o último álbum de Waits. Mas sabe-se, aqui, ao menos, algo que não se sabia antes. Foi aprendido algo, que é a condição individual que a Casa exige. O Rain Dog que vive enchendo a cara com as pessoas que ele conhece pelas ruas descobre na solidão do repouso (deitar a cabeça) a oportunidade de se comunicar com esse espaço talvez sagrado, talvez transcendental, da Casa. Ele se comunica com a Casa, assume sua condição, torna sua expressão mais autêntica, mais singular, a análise existencial subjetiva e volta a encher a cara e se divertir com os outros Rain Dogs. Mas ele sabe que não precisa disso para ser ele mesmo. Ele pode "morrer" para o mundo, para o "outro" e assim fazer as contas e ver o que sobrou disso. O que sobra é o Ser.
Eu me surpreendi quando soube que ela havia feito um album só com músicas do Tom Waits (excetuando uma, que se não me engano é dela). O álbum dela tem um conceito bem diferente do de "Rain Dogs". "Anywhere..." é a única música do RainDogs presente.
A Abertura com "Fawn", uma música instrumental de "Alice", de 2002, foi pra mim a melhor música do disco. Tudo muito alto, muitos instrumentos, tão alto e ao mesmo tempo que tudo se perde. No meio da faixa, tudo parece desconexo. Um efeito impressionante.
Alguns contrastes: A capa de Johansson mostra a moça deitada, muita calma, em uma floresta, algo bem tranquilo. Talvez até algo como a morte... "Who are you" trata do suicídio e "I don't wanna grow up" só pelo título já revela seu carater fatalista. Enfim... A capa do disco de Tom Waits mostra um outro repouso, não tranquilo, mas caótico, bêbado, deficiente. O choro, o riso, a loucura... Bem diferente da serenidade de Johansson. "Anywhere i lay my head" é uma música sobre uma grande mudança, um aprendizado, algo que radicalmente coloca o indivíduo em correspondencia consigo mesmo. Johansson fez disso seu mote, mas de uma maneira diferente. No disco dela, a serenidade é próxima a calmaria da morte. Realmente,mas transcendental e definitiva que a conclusão de "Rain Dogs". Mas notemos que a maioria das canções do disco dela são de albuns recentes de Tom Waits, após Rain Dogs. O carater é muito mais transcendental, no sentido da fatídica "Come on up to the House", que em "Rain Dogs".
Na canção, Waits canta com loucura, extase, paixão. Johansson, uma cantora sem muita habilidade, procura fazer exatamente aquilo que Waits procura não fazer na sua gravação: somente cantar com regularidade, no tom. Sua voz é meio morna, sem nada de muito elevado, e isso a torna um experimento interessante.
Isso me leva a outro ponto. No filme "Vicky Cristina Barcelona" Johansson interpreta uma moça que sempre está tentando fazer algo de carater artístico, sem nunca obter algo de muita qualidade. Ela não tem "talento" para nada. Seu mote é : "Eu não sei o que quero mas sei o que não quero". Acho que Scarlett Johansson é essa mulher. Woddy Allen talvez seja o único que a entendeu. O papel dela em "Match Point" também é o de uma mulher que está "no meio", ela não está resolvida, ela não sabe muito bem onde está e o que esperam dela. Acho que a serenidade do seu album de estreia é isso: tal qual o Rain Dog, Johansson está no entre, em um limite. Holywood não é sua Casa. Ela superou seu "mundo", se pos a caminho de uma outra resolução, um outro destino, que se dá pela questão coloca-da em "Anywhere I Lay my Head".
12/18/2008
Trilogia Rain Dogs / Rain Dogs
Dentro de um relógio quebrado
Espirrando o vinho... Com todos esses Cachorros da chuva
Táxi... Preferimos ir a pé.
Acotovelar-se em um porto com esse cães
Sou um cachorro da chuva também!
Ah.. como dançamos e engolimos a noite!
Tudo foi muito maduro para um sonho
Ah, como dançamos
Todas as luzes
Nós sempre perdemos a consciência.
O Rum derramado, forte e magro
Expulse o gari daqui
Com os cachorros da chuva
Á bordo de um comboio naufrágo
Dê o meu guarda-chuva para um dos cachorros
Ah, como nós dançamos com a Rose de Tralee
Seus longos cabelos, negros como um corvo
Ah, como nós dançamos.. E então você me sussurou:
"Você nunca vai voltar para a Casa".
- Entrevista e confete na cabeça, cantando "Tango till the're sore"
http://www.youtube.com/watch?v=fKSIDg_cn8I
- Show
http://www.youtube.com/watch?v=qVaEPx_VyXs&feature=related
1
Cachorro da Chuva. Para ser bem direto, o Rain Dog de Waits, que vou manter a maior parte do tempo no termo original do ingles, é o oposto ao "Palluka" de que Waits fala em algumas músicas. No último post deixei clara a posição anti-niilista de Waits, mas tenho que admitir que não há pior termo. Eu fui bem Nietzschiano e não queria ter sido, e agora por me ressentir com isso caminho no caminho certo. Lembrar: no primeiro post, "Come on up to the house" eu fui, nos comentários, respondendo a um discreto e amável anônimo, contrário a tal afirmação aristocrática (trágica) da vida. Inclusive alimentei a boa idéia do ressentimento. E é isso que quero retomar.
2
Rain Dog x Palluka. Esqueçam o niilista. O Rain Dog tem seus ressentimentos e os mantém. Ele é fraco e se esconde na bebida, nos cigarros, no que tiver. A dor é muito grande para um homem contê-la sozinho, e mais ainda para que possa afirmá-la depois que ela se for. Não existem superhomens. Existem Pallukas e Cachorros da chuva entre aqueles que não estão na Casa, ou melhor, entre aqueles que estão no Limiete, na beira, na marginalidade. Ambos são doentes da vida. Talvez doentes de tanta vida, eles são boêmios e vagabundos, são vadios, cães sem muito para gastar nas altas apostas que fazem. Os Cachorros da Chuva tem confete na cabeça. Eles se divertem juntos e honram as pessoas com quem estão. Eles se juntam nos grandes temporais e bebem e enlouquecem juntos. Por que? Por que assim podem chegar mais perto da Casa, de uma familiaridade com as coisas e, principalmente, uma familiaridade com o ente que corresponde ao seu ser, o outro. O Palluka se isola em sua dor, e morre sozinho. A força, em Tom Waits, que mede fracos e fortes, é a distancia da Casa. É uma casa não-física, uma casa metafísica. A familiaridade é a própria Casa, a felicidade e o lidar sem angústia são caracteres desta Casa como modo de ser. A força, assim, fez de uns fracos, os Pallukas, desorientados da Casa por se isolarem longe de qualquer comum-unidade, e uns fortes, os Rain Dogs.
3
No post passado eu disse: os que estão fora da casa ou estão sóbrios ou bêbados. os Rain Dogs se mantém entre esses dois estados, seja apaziguando temporariamente a dor para conseguir perpetuar a existencia e assim persistir a busca pela Casa (bêbados) ou buscando efetivamente a Casa e sofrendo enquanto isso (sóbrio). Os Pallukas ou estao muito bêbados ou estão sóbrios, eles não transitam direito entre um lado ou outro. Assim, aquele mamado que fica maluco e fala sozinho 24 horas por dia é um maldito Palluka. De mesmo modo, o mendigo cristão que cisma em não beber e vive se lamuriando, carrancudo e desdenhoso, este é um Palluka do mesmo modo.
4
Rain Dogs e Pallukas não são raças ou espécies: são modos de ser, as coisas aqui são sempre modos de ser. Sendo assim, estar levando bem a sua condição é ser um Rain Dog. Estar levando mal é ser um Palluka. Não há maniqueísmo,desta forma.
5
Todo mundo quer a Casa, a sua casa. O Palluka está longe de consegui-la, longe exatamente por que ele quer a casa. Todo mundo quer a Casa. Ser Palluka é ruim por que é mais dificil conhecer a casa e alcança-la se vivemos nos lamuriando sem nada procurar, enquanto sóbrios, por que a dor de estar sóbrio nos nubla a consciencia, ou por que vivemos em uma casa falsa, se bêbados, e nossa felicidade se esgota facilmente.
6
Nos concentremos principalmente no conceito de Rain Dog, agora.
"Ah, como dançamos e engolimos a noite!"
O ato de dançar é muito importante. Nietzsche não acreditaria em um Deus que não fosse dançarino.
7
Analisemos um fragmentos de fragmento de Pascal (133, de seus "Pensamentos"), traduzido pelo controverso Pietro Nasseti:
"O Homem é visivelmente feito para pensar. (...)Ora, a ordem do pensamento é começar por si, pelo seu autor e seu fim [sua finalidade]. Pois bem:em que pensa o mundo? Nunca em tais coisas, mas em dançar, em tocar alaúde, em cantar, em fazer versos, em viajar, em tornar-se rei sem cogitar do que significa ser rei e do que significa ser homem."
De uma sagacidade incrível. Pascal era um filósofo das coisas mais medíocres, das questões superficiais e da artificialide. A imaginação, com papel fundamental na condição humana, é o instrumento essencial do homem decifrar o mundo. Seja pela grandeza ou pela pequenez, pela distancia ou proximidade, a percepção humana somente pode lhe dar com o "entre" que se aparece por entre esses extremos, o tudo e o nada. Esse entre é o ser. É aquilo que é. E o ser é miserável, é corrupto e caduco, incapaz de lhe dar com a verdade das coisas, sempre em movimento, em errância, passando de ente à ente, sem se deter, nem querer se deter, em um repouso. Dos tópicos sobre o "divertimento" dos Pensamentos de Pascal foi que tirei este fragmento. Ele serve para dar uma visão interessante, não obstante externa, do que seria o tédio e o cotidiano da condição humana. Sem as distrações, sem a errância que obstrui a análise existencial e a reflexão do sujeito sobre si, a condição humana é jogada na percepção de toda a total falta de sentido de sua existência. O divertimento, a dança, aquilo que nos faz não pensar no infinito fechar-se do mundo enquanto abismo e no absurdo da imaginação que cria nossos heróis, nossos dogmas, nossas cismas, hábitos, costumes, toda a segurança abstrata que nos faz agir, e não chorar. Persistir e não findar. Talvez possa, e seja, um elogio a alienação. Prefiro pensar como a perspicaz noção de que o senso comum não é um instancia separada, inferior, superada, da filosofia e da reflexão racional, mas, sim, que o lidar do ser com o mundo é sempre através desta instância que sempre se relaciona. Nenhuma elocubração abstrata da razão persiste durante mais que um limite de tempo. O limite que o corpo, a vida, a existencia deste pensador suporta. A diversão está sempre balanceia esta reflexão que, como dizia Deleuze, entristece. Mas não apenas balanceia. Não há um momento em que um homem é outro, em que apaga o que foi divertido e adentra na metafísica: a metafísica brota da diversão, e a diversão não é um fazer irracional pura e simplesmente, pelo contrário, por vezes carrega coisas deste outro modo do homem lidar com o mundo. De fato, a dicotomia é totalmente obtusa: estão univocadamente juntas, o pensamento que entristece (o sóbrio que quer a Casa por que não a tem) e o divertimento que enobrece (o ébrio que se sente em casa quando se esquece que não tem a Casa). Mas aqui já abandono Pascal.
8
"Tudo era muito maduro para ser um sonho"
Essa é a condição do Rain Dog: o contato direto com o real. Com "maturidade" Waits quer dizer que o real já aconteceu , que qualquer compreensão do entendimento reflexivo é tardia.O real é maduro, com isso não quer dizer que seja velho, mas que está, sempre, no estado perfeito para ser o que é, que ele sempre é o que é, e já está sendo, e qualquer caminho que a linguagem seguir será relacionado a está imediata realidade. Mesmo o mais teórico, imparcial, o mais imaginário, "sonhador" devaneio que possa ser feito na linguagem, é, por ser "é", claro, real, e tocado pela realidade, e relacional.
9
Então... no fim da música, uma pessoa (uma moçinha fogosa e bêbada em uma acepção otimista, um mouro bronzeado em uma acepção pessimista) sussura no meio da dança (que já abordamos conceitualmente aqui) que
"Você nunca vai voltar pra (C)casa."
Em vez de eu dar estar respostas malfeitas e imediatas, vamos analisar as possibilidades:
1) Ela é uma vadia que quer tornar os homens em Pallukas de merda.
2) Ela é santa, como todas as mulheres que te levam pra Casa, e a negativa é simplesmente a afirmação de quê, na dança dos corpos e do mundo, você já está em casa. O Rain Dog está em Casa.
Claro que nós ficamos com a dois.
10
Por fim: podemos notar que aqui há, nesta canção, o conceito central do Rain Dog, o Cachorro da Chuva, o personagem que Tom Waits quer descrever ao longo de toda a sua obra e que dá o tom, o fio condutor e a estrutura toda deste albúm de 85. Em "Singapore", a tradução anterior, temos um grupo de Rain Dogs em um barco viajando para Cingapura. A capacidade / desejo / destino de buscar a Casa é o que faz o barco ser a Casa naquele momento. Esta capacidade é onde reside a autenticidade do Rain Dog, de tornar o mundo um instrumento para se alcançar a casa. É neste sentido que "Come on up to the House", de 99, expressa uma espécie de transcendência do mundo.
(feliz ano novo, pallukas!)
12/16/2008
Trilogia Rain Dogs / Singapore

apresentação:
O disco de maior sucesso de tom waits, considerado por muitos o melhor dele e, ainda por cima, vencedor da enquete na comunidade do orkut. Enfim... Não é o meu preferido, nem o do Victor, nem o de ninguém que eu conheço, mas achei conveniente agradar a multidão (risos) e fazer, em três posts:
1) a tradução da primeira música, Singapore, explicando "aonde" se localiza Tom Waits em 1985, depois de andar pela música caipira e o jazz citadino, nos anos 70, e a chegada em uma cidade nova no disco de 83 (Swordfishtrombones)
2) a da faixa-título, Rain Dogs, explicitando qual o conceito de "Cachorro da chuva" para Waits e por que este conceito é o título do albúm, quer dizer, por que esta faixa reune e sintetiza todas as outras restantes em um conceito muito bem (espero) delimitado.
3) e a da fatídica última faixa, "Anywhere I Lay my Head", indicando, principalmente, por que ela finaliza o disco e por que Scarlett Johansson regravou ela em seu disco, além de dar o nome dessa música ao seu album.
Dfjanfsfaefesfgergtye4rhtkuyo87yl8l87l78l7
Singapore
Nós velejamos esta noite para Cingapura,
me entreguei à um mouro bronzeado
Andei nos esgotos de Paris
dancei junto a um vento de diversas cores
pendendo de uma corda de areia
Não vá dormir enquanto estiver em terra.
Trespasse seu coração e aguarde a morte
Quando ouvir o choro das crianças
Deixe que a medula óssea e o cutelo escolham
Enquanto fazem os pés para os sapatos infantis
Através do beco, de volta para o inferno
Quando você ouvir o sino do campanário
Você deve me dizer "tchau".
Limpe-o com gasolina! ( o barco)
Até seus braços ficarem fortes.
De agora em diante, rapazes, este barco é sua casa
Então... Hastiar vela, marujos!
Velejamos está noite para Cingapura
Peguem seus cobertores do chão
lavem suas bocas, por aquela porta ali!
A vila toda é feita de minério de ferro
Cada testemunha vira vapor.
Eles se tornam sonhos à italiana.
Encham os bolsos de terra
Arranjem um dolar furado
Para longe, rapazes
Adiante, marujos
Hastiar velas!
O capitão é um anão de um braço só
Ele está jogando dados em algum lugar no cais
Na terra dos cegos, o ciclope é rei
Por isso tome este anel. (!)
Velaremos de noite para Cingapura, estamos tão loucos como os chapeleiros daqui...
Porto de "Singapore":
"Que podemos aprender com tudo isso?"
O LUGAR
Já viram "O Atalante", de Vigo? Eu sempre penso naquele velho lobo do mar... Aquele velho das tatuagens. Enfim, aquilo que dá unidade ao texto:
"From now on boys this iron boat's your home . So, heave away, boys!"
Isso mesmo, o barco é a casa. (consultar o segundo post deste blog, "Come on Up to The House", para ver a noção de casa. Chequem os comentários dele também, mas , principalmente, leiam o apendice deste post, onde eu explico o conceito de Casa )
Com isso quero dizer, o barco é um cargueiro de ferro,Tom é o imediato e o capitão é aquele anão esquisito, os marujos são inexperientes, ninguém está seguro mas as oportunidades são constantes. Cingapura é a cidade das maravilhas miseráveis e aqui entramos no mundo de "Rain Dogs": a podridão dos becos multi-étinicos da Europa. Ocidente, oriente... não existe isso aqui. O tempo está sempre fechado, como em closing time, mas dessa vez Waits não está na América... A casa dele agora é um barco. Qualquer barco. A solidão e o lirismo do primeiro albúm são abandonados. E nos bares não há "closing time", eles sempre estão abertos, mas são piores, mais baixos que aqueles de beira da estrada, nos E.U.A. "Beira", alias, é uma boa palavra para entender Tom Waits. As coisas estão sempre na beirada, no limite, no meio fio, no traço-cisão (opa! espirito heideggeriano, desculpe). Antes foi a beira da estrada, a porta do bar(Closing Time - 1973)... depois, a calçada da rua, a sarjeta (The Heart of Saturday Night - 1974) , depois um lugar especial na sarjeta (Heartattack and vine - analogia ao nome de uma esquina em nova york, se não me engano - 1980), depois uma terra estrangeira, o submundo "underground" (Swordfishtrombones - 1983) e agora isto... o cais chuvoso de Cingapura. Não apenas Cingapura... mas com certeza tudo começa lá. Talvez o imediato não seja Waits... Talvez ele seja um dos marujos lutando para sobreviver. Com certeza, a casa de Waits é na "beirada", nesse limite. De acordo com uma interpretação da Rolling Stone, Rain Dogs é o encontro de um "lar" que foi procurado e não encontrado no album antecessor ( cuja ultima música se chama "RainBirds" - talvez predecessores dos Rain Dogs). A hípotese parece boa, se bem que, em minha modesta e fecunda opinião, a casa só vai ser encontrada mesmo em "Mule Variations", 14 anos depois. Mais uma vez, enfim... O barco poderia ser essa casa, e Waits parece mais "acostumado" com as coisas mesmo. Para mais (muito mais) informações ver o Apêndice no fim do post.
OS ITENS
Há bebida e cigarros em cada barco, cais, bordel, barraco em baixo da ponte... E esses itens só ocupam os lugares vazios. Porém, a metafísica de Tom Waits não permite que seja um vazio qualquer: É um vazio da alma. O lugar que estes itens ocupam é aquele que a família, o estado, as instituições, o passado, o tempo, o amor não puderam ocupar. Os dados que o capitão deformado jogam não indicam outra coisa se não: há diversão por aqui, e é praticamente só o que procuramos. Mas é mentira. o capitão procura a essência. Ele pode estar nos dados, quem sabe... Tom waits sabe que não pode achar a essencia pelo amor, pela verdade, pelo saber, pela beleza, pelo real, pelo fundamental... Então, diz ele, vamos procurar pela superfício, pelo artifício, pela maquiagem, pelo transitório, pelo passageiro, pelo infame, pelo inculto, pelo irregular, pelo sujo, o feio, o deformado... Neste sentido, é quase uma repetição de Baudelaire. Mas vamos mais longe: façamos boas melodias.
CASA
Então, Baudelaire... não vamos erguer comparações, seria feio. Vamos aproximar alguns gestos. Baudelaire seria cristão? Isso instiga questões faz tempo; em Tom waits, manteremos a questão do pecado original. Não sei se há esse pecado, mas já afirmei aqui que o Tom é, sobre certo aspecto, um ressentido. Com isso quero dizer: ele errou, mas o tempo não volta para consertar. Mas será que isso resulta necessariamente na culpa pela perda da Casa? Acho que não. A casa não se perdeu. Ela está e não está. Casa é quase um phatos. A casa é antes um "estar" do que um "onde". Ela é algo como o que sentimos quando somos crianças e quanto temos segurança, confiança em postulado metafísicos predicados na família . Waits passou por isso e quer retomar, mas não tem culpa pela passagem do tempo, e sabe disso. A procura pela casa não é ressentida, não é culposa, e não se assemelha ao pecado original cristão. Baudelaire nutre um ódio, se assim podemos chamar, pela natureza. Não há isso em Tom Waits, a natureza não tem culpa... A cidade é grande e algumas pessoas ficam de fora, é isso... Vamos falar dessas pessoas.
OS TIPOS
Rain Dogs está cheio de "tipos", por assim dizer: anão sem braço, prostituta perneta, chineses bêbados, marinheiros, uma Grande e Negra Maria, a garota de rua que masca chiclete... os próprios cachorros da chuva são um tipo, do qual falaremos em especial depois, um tipo que abarca todos estes, talvez. Tal qual Baudelaire, há aqui um privilégio da alteração do padrão normal das formas humanas, mas devemos investigar o porque disso. No poeta francês, a forma é uma idéia perfeita da alma, de-formada quando formada apartir "de" matéria. A matéria deforma, e todo o corpo imerso no devir da realidade é pecaminoso, é natural, é caduco.Puro platonismo, diriam alguns. Em Waits, a forma-padrão, ou a idéia eterna que une todas as formas particulares, se você preferir, é distante. Está é pra quem tem Tv-a-cabo em casa. Morando embaixo da ponte, você tem que se contentar com a puta mais barata, aquela que desconta o preço da noite pela perna perdida. Waits quer mostrar que não é tão ruim assim, ou melhor, é ruim, mas se você não aceitar isso não vai ter diversão, e diversão é importante para Tom Waits.
(A)POLÍTICA
É interessante notar que não há ( na minha interpretação, principalmente) qualquer viés político na analítica social de Waits. Isso é ótimo: viabiliza uma interpretação intimista e sincera, sem grandes juras ideológicas, grandes conglomerados super-estruturais para explicar as situações... Só há duas "classes" em tom waits: os que estão em casa e os que não estão. A diversos caminhos apartir daí, e o de waits, privilegia a não-casa para achar a casa. Por que? Aqui entra a personalidade de Waits: ele é um sujeito assim, há outros sujeitos assim, nessa interpretação, a maioria dos "grandes sujeitos" da humanidade foi assim, talvez seja o modo autentico do ser falar de si mesmo...Ou talvez seja merda da cabela desse descendente de irlandeses sujos.
APÊNDICE - MODOS DE SER e O TEMPO em TOM WAITS.
1) Modos de Ser
Podemos dizer que há dois modos de ser em Tom Waits:
Casa -
Fora de CasaNa casa você está feliz, você tem tudo o que quer, quer dizer, você não questiona os valores que tem. Fora de casa você pode ter mais dois modos de ser:
Bêbado - Sóbrio
Se bêbado, você está se divertindo. Se sóbrio, você está pensando na casa que não tem. Waits não privilegia nenhum dos dois modos, ambos tem seu tempo na vida do homem. Bêbado você não coloca as questões, você se ocupa, mas de modo bastante fulgaz e vulgar (no sentido de medíocre, principalmente) e então você está em casa, mas é uma falsa casa, que vale apenas pelo momento. Porém, o homem precisa da Casa. . O Bêbado vive da ilusão, mas ele depende do Sóbrio, e por isso os que são cantados por Waits, os Fora-de-casa, estão sempre cambiando entre Sóbrio / Bêbado. Não conseguiriam ficar sóbrios o tempo inteiro, seria muito sofrimento para alguem sem Casa, sem nenhuma familiaridade com um mundo... mas não podem deixar de buscar a casa verdadeira, que é a essência do ser do homem, e que sempre se contrapõe a insegurança do homem impresso no tempo, e só podem buscar a casa quando conscientes de sua condição e tristes com ela, obviamente, ou seja, nao entretidos em alguma falsa familiaridade. A verdadeira familiaridade não é utópica. Tom está em casa, em Rain Dogs, ele conhece todos os bêbados e drogados, os deformados e párias, os conhece todos pelo nome, conhece o turbilhão da não-casa e se encara como poeta desta multidão de desabrigados. A casa verdadeira não quer dizer felicidade completa, ataraxia ou golconda: Casa é, antes e simplesmente, lugar. No caso de Waits e daqueles que falam verdadeiramente sobre o ser de um mundo este lugar é o modo de ser fora-de-casa. A Casa para eles é um sonho de segurança que abraça os pobres diabos nos momentos de maior tristeza e solidão. Por isso seu estar em casa é um outro modo de ser, o Fora-de-Casa que não é Sóbrio nem Bêbado - é a outra Casa, a Palavra. Em Rain Dogs, Tom está em Casa, sua casa é a palavra, sua casa é dizer sobre este mundo, é dar um mundo para aqueles que não tem nada certo. Porém, ele ainda não pode lhes dar seu destino, apenas pode dizê-los o que são, mas não o que querem. Isso, para mim, só será obtido em "Mule Variations" com "Come on up to the House". Pois bem... a Casa de Tom Waits é está em que a ontologia é feita. Será o lugar da arte e da filosofia como aqueles que nomeiam e localizam as coisas do mundo de forma criativa, quer dizer, de forma originária.
2) Tempo
É preciso fazer a ontologia destes modos (Casa / Fora-de casa/ Bêbado/ Sóbrio), para que não se percam no tempo, quer dizer, para que um não sobreponha o outro e uma pessoa não caia na ilusão (não esqueçamos que Waits é metafísico) de que está em um lugar quando não está. Para poder salvá-los do tempo, da perda no tempo, é preciso colocá-los no tempo. Como vimos no meu post "Time / Conceito de Tempo em Tom Waits", o tempo é aquilo a que o amor se dirige. Por via das dúvidas, podemos pensar:
1- existência = tempo
2- se amamos algo, podemos a) afirmá-lo no tempo ou b) afirmar o tempo neste algo, assim como se odiamos negamos no tempo ou negamos o tempo. Se você odeia você nega, por que você não quer que exista, ora, é ruim e você quer que isso acabe. Se ama, você quer que continue, que persista pela eternidade. Não é o sentido epistemológico, veja bem, afirmar não quer dizer constatar um existência, mas querer que algo exista. Assim, tudo o que é vivido, de alguma maneira, existe, Gostei de pensar assim, não sei se é Nietzscheano ou Shopenhauriano, mas condiz com o Waits.
3- Em a) o tempo já é aceito previamente na acepção de 1, quer dizer, ele existe e você é um idealista. Em b) o tempo é posto em questão em sua realidade a cada ente apresentado, e pode ser afirmado ou negado. Isso é interessante: o ente imediatamente posto define toda a realidade a cada vez. Quer dizer, se você afirma este ente, afirma toda a realidade. É como disse o trapezista engraçadinho de "A Estrada" de Fellini: "Se esta pedrinha não tiver um destino, então não tem nenhum sentido no mundo" ( ele não disse isso, mas o sentido é esse).
Em cada coisa você ama/ nega não a coisa, mas o tempo. Só que, o que é o tempo, que é tudo o que existe? É o devir, a passagem ininterrumpita, o persistir das coisas em serem elas mesmas, e ser é existir que é a própria temporalidade que é mudança permanente ou seja ser si mesmo é ser o não-ser do que é em direção à próxima transformação. Forma de novo, a forma sempre muda, sempre está formando-se novamente, no tempo. O discípulo de Heráclito, muito sábio mas pouco prático, só apontava pras coisas, sem dizer-lhes os nomes pois, citando Nietzsche, "toda a palavra é um prejuízo" e o que é "já era" (yo!). Pois bem... Waits quer falar, assim, que pôr em questão o tempo a cada ente é perguntar-se sobre qual o nova forma que este ente assumirá. Mas que isso: é desejar a nova forma dele, seja afirmando a antiga seja negando-a. Aqui está a grande questão! Pois se é afirmada, no amor, a existência de algo, quer dizer, se se requer a manutenção desta forma, então nega-se o tempo, a mudança constante, o rio em que sempre caimos da primeira vez. Se odiamos algo também não afirmamos o tempo, pois o tempo não destrói, ele muda. Porém, existe este postulado: amamos o tempo. Amamos inexoravelmente existir, quer dizer, queremos mudar, quer dizer, queremos viver, a vida persiste em viver em cada um de nós. Fora ou dentro de casa, o ser vivo vive e quer a vida. Viver é mudar aquilo que é, pois é sempre no tempo, ou melhor, é o próprio tempo manifesto. Então, eiso embate: manter-se o mesmo no entanto mudando. Assim: se amamos algo e queremos que ele persista contradizemos o tempo, se odiamos algo e queremos destruí-lo e queremos não odiar nunca mais, mas o tempo traz coisas que odiamos, e então contradizemos o tempo: porém o tempo é tudo o que é, como foi dito, e tudo o que é esta sempre se contradizendo. Assim, sempre afirmamos o tempo, afinal estamos sempre nele, não podemos negá-lo. E se o ódio é direcionado não há uma coisa, mas à existência, ao tempo? Aí somos niilistas de merda e queremos nos cortar no banheiro de casa ( mas não é A casa) e apodrecer como um pedaço de lombo na mesa de natal.
CONCLUSÃO
Do que eu estava falando mesmo?
CONCLUSÃO
Ah... sim.
Em Tom Waits, como amamos o tempo, o que queremos é viver. Mas o tempo é também a destruição da morte. Amamos a passagem do tempo, amamos o destino inexorável de todos os seres. uhu! Este mundo cor-de-rosa acaba rápido: o amor não tem nada de feliz (uma aula: "Anarcosambas", de Vinicius de Morais e Baden Powell). Amar é sofrer. Sofrer é padecer. Padecer é "ser tomado por". Você pode ceder ou pode lutar contra. Se contra, você é um niilista, um tecnólogo, um filho-da-puta fudido lutando para não se afogar estando nas profundezas do oceano. Se a favor, você é Tom waits. Espera aí...
(Ok: assim como Platão, eu só escrevi de brincadeira até hoje)
http://www.youtube.com/watch?v=nnBzDD_O1Fg
- One of those nights...
- Warm Beer, cold women!
11/29/2008
Blind Love
[são tudo o que há]
e não me importo se sentem minha falta;
nunca lembro dos nomes deles
Dizem que se você vai muito longe, acaba no caminho de volta pra casa
bem, estou na estação... e não consigo pegar o trem
Deve ser um amor cego,
o único tipo de amor é o amor completamente cego
Agora a rua se torna depressiva
e os cachorros latem
e a noite chegou
E tem algumas lágrimas caindo de seus tristes olhos nesse momento
me pergunto onde você está e sussurro seu nome
mas o único modo de te encontrar é fechando os meus olhos
Com meu cego amor, irei te encontrar
o único tipo de amor é o completamente cego
... é o seu amor cego, o único amor é o completamente cego
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http://www.youtube.com/watch?v=0jyVZNrWkow&feature=related
(sim, o vídeo é de outra música, e não estou nem aí)
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Talvez a única maneira de não ver sua ausência seja ficando completamente cego... mas, enquanto isso não acontece, fico com o whisky. De olhos fechados.
11/20/2008
Lonely
Olhos solitários
Rosto solitário
Sozinho no seu canto
Só... Só... Só
Olhos solitários
Rosto Solitário
Só no seu lugar
Pensei que eu sabia tudo
o que devia saber
Só...Só... Só
Melanie Jane não sentirá a dor
Sozinha, sozinha, Olhos sós, sós...
Só em seu lugar.
E eu pensei que sabia tudo o que deveria saber
Só, só... com olhos solitários
Só, só em seu lugar e
eu ainda amo você
eu ainda amo você..
só, só.